- p.mir , produto r !
- Orgulho-me de ter produzido o primeiro cd independente lançado em
portugal, e de o ter feito em conjunto com os músicos, (Felix, lider do projecto), e todo
o pessoal envolvido, num minúsculo estúdio numa pequena cidade portuguesa com cerca de
15000 habitantes. Não havia cabine, auto-locators, smpte, nada, nem ar condicionado.
- Recordo-me que as vozes foram gravadas com um Shure SM58 que nao tinha a
bola de rede metálica. Qualquer som a menos de dez centímetros do micro produzia um
estouro que abafava o mais dinâmico dos bombos de pé.
- Solução: as vozes eram gravadas com o vocalista segurando um painel de tecido daqueles
que se encontram a tapar os altifalantes nas colunas hi-fi. É certo que ninguém via a
cara do vocalista, mas as vozes foram gravadas. O cd foi lançado, e foi o primeiro. E
sempre será.
-
- p.mir !ive
- A primeira vez que consegui um concerto a
solo foi inesquecível. Para mim e para quase toda a população de Lisboa e arredores. De
facto, o que se passou não se apagou fácilmente da memória de muita gente. Meados dos
anos 80, muitos sintetizadores nas mãos, apoio da Valentim de Carvalho (ainda era no
Chiado), cartazes, e o reportório que me parecia ideal. A sala de espectáculos era a dos
Bombeiros da Amadora. Uma sala com condições aceitáveis, bom PA, cartazes impressos e
distribuídos pela cidade.
- Na manhã do dia do concerto abate-se sobre a zona de Lisboa um dos maiores temporais de
sempre na zona de lisboa. Casas destruídas, gente desaparecida, estradas cortadas,
bombeiros com muito trabalho e, no caso dos da Amadora, sem quartel, pois o tecto do dito
veio abaixo com a força do vento.
- Sem PA, sem sala e sem público não valia a pena fazer concerto. Primeiro concerto...
primeiro cancelado.
- Serviu-me de consolo o poder ver os cartazes ainda colados pela cidade mesmo alguns anos
depois da fatídica data.
- No entanto, e porque desistir nunca fez parte de mim, tive a oportunidade de apresentar,
finalmente, o meu trabalho ao vivo, a solo, na noite de Halloween de 1984 na fabulosa sala
da igreja da madredeus (sala do teatro ibérico). Valeu a pena o temporal, até porque
exactamente 1 ano depois, em 1985, realizei novo concerto no mesmíssimo local.
-
p.mir c/band!
Mais recentemente, e porque estas coisas
nos ficam no sangue, voltei às guitarras em 2000, criando o album e o grupo The
Unplayable Sofa Guitar.
Agora, anos mais tarde, The Unplayable
Sofa Guitar continua no activo, mais albuns editados, e eu dedico-me continuamente às
guitarras.
Infinite-e entrou num "limbo",
um período de stand-by, mas não de inactividade criativa. Os temas novos acumulam-se no
estúdio e hão-de aparecer na rua quando não houver mais espaço no estúdio.
Com tudo isto, e apesar de ser
fácilmente reconhecida a minha predilecção pelo som electrónico, confesso que já
estive em palco com grupos de rock em meados dos eighties. Dessas estranhas experiências
recordo com mais carinho as actuações que fiz com os míticos Croix Sainte;
- A primeira vez foi no...
...tambem mitico
- Rock Rendez-Vous. Recebo no próprio dia o convite para actuar. Foi o André (o
vocalista) quem me telefonou. Sem ensaios nem nada, não hesitei em aceitar. Tudo podia
acontecer e isso é o que mais me entusiasma. Já desbundávamos em conjunto há algum
tempo em minha casa, no meu home-studio, mas nunca tinha feito nada com o reportório dos
Croix Sainte.
- Cheguei ao Rock Rendez Vous com o ARP Odyssey debaixo do braço
e sem a mínima ideia do que iria fazer. Horas mais tarde, concerto a começar, não fiz
som, não funciona o ARP durante todo o primeiro tema. Primeira música a chegar ao fim
quando, milagre, o som do ARP aparece mas com características totalmente inesperadas.
Afinal eu tinha mexido em quase todos os botões do sintetizador tentando sacar-lhe alguma
coisa. Quando o som voltou o que se ouvia era algo muito suave, flutuante mesmo. A banda
aproveitou esses sons para uma pausa e pegou no tema seguinte, eu, decidi que só iria
tocar nos espaços entre músicas. Algo como um concerto 2 em 1!
- Resultado, o público raramente aplaudiu para não
interromper o som contínuo do concerto mas os aplausos finais deram-nos a certeza de ter
feito um óptimo trabalho.
- .aki era para inserir foto de qualquer
merda, p.ex. P.Mir. a tocar teclas!